Guia
QR code não lê? Ache a causa pelo sintoma
Quase todo QR code ilegível é um de uma dúzia de defeitos específicos, e qual dúzia depende do sintoma. Um código que nunca funcionou para ninguém é problema de impressão. Um código que funcionava mês passado é problema de destino. Um código que lê e abre a página errada não é nem um nem outro. Comece descobrindo qual dos três você tem; o resto está organizado assim, na ordem que encontra a causa mais rápido.
Primeiro, separe os três defeitos
Faça duas perguntas antes de mexer em qualquer coisa. Esse código já funcionou alguma vez, para alguém? E o celular reage de algum jeito — prévia do link, página errada — ou não acontece nada?
Nunca funcionou, sem reação: o padrão não pode ser lido. É defeito de impressão ou de arte, e é disso que trata a próxima seção.
Funcionava antes, agora nada ou uma página de erro: o padrão está bem, o destino sumiu. Pule para a terceira seção.
Lê na hora mas abre algo errado: nem o código nem o destino estão quebrados; quebrado está o link. Essa é a quarta seção.
Ele nunca foi legível
A câmera não consegue transformar o padrão em dados. Estas são as causas, mais ou menos na ordem em que costumam ser a culpada.
- Pequeno demais para a distância. Um código lido a três metros quer uns trinta centímetros; a trinta centímetros, uns três. Abaixo de mais ou menos meio milímetro por módulo, as câmeras de celular começam a falhar.
- Contraste insuficiente. Escuro sobre claro, com diferença de verdade entre os dois. Cinza-claro no branco, ou uma cor de marca sobre fundo escuro, é a falha de origem gráfica mais comum.
- A zona de silêncio sumiu. A especificação quer quatro módulos livres de cada lado; texto, um fio ou uma imagem de fundo encostando na borda apagam a fronteira que o leitor procura.
- Invertido. Módulos claros em fundo escuro leem em alguns celulares e em outros não — trate como quebrado, não como estilo.
- Esticado ou ampliado. Um PNG pequeno inflado tem bordas de módulo moles, e falha pelo mesmo motivo de imprimir pequeno demais. Imprima a partir de vetor.
- O logotipo cobre demais, ou o nível de correção de erros não foi elevado para compensar.
- O material joga contra: uma garrafa curva, laminado metálico, tecido, ou uma plastificação devolvendo a luz do teto direto na lente.
Para você lê, para o cliente não
Esse caso merece seção própria porque o código costuma estar bom. A diferença está no celular, na luz ou na distância — e você testa nas melhores condições que esse código vai encontrar na vida.
Câmeras mais antigas resolvem menos; uma lente riscada ou engordurada resolve menos ainda. Um salão escuro tira distância de você, e o ângulo também: um código deitado na mesa, lido por alguém de pé, está sendo lido de viés.
Há ainda uma diferença de software. A câmera nativa lê QR codes nas duas plataformas, mas nem sempre com a tolerância de um app dedicado, e um celular antigo pode precisar dele. Se um código funciona no seu celular novo e falha num de três anos, o código está justo, não o celular velho: imprima maior.
Funcionava e parou
O padrão não mudou — não tem como. Mudou algo atrás dele.
- O destino mudou de lugar ou foi apagado: o site foi reorganizado, o compartilhamento de arquivo expirou, a página de campanha saiu do ar junto com a campanha.
- O redirecionamento foi desligado. Um código dinâmico depende de um serviço que encaminha a leitura; conta vencida, conta encerrada ou limite de plano gratuito param todas as cópias impressas de uma vez.
- Era um teste. Muitos geradores gratuitos entregam um redirecionamento de teste que para depois de uma ou duas semanas e mostra uma página de assinatura.
- O domínio não foi renovado, ou o certificado expirou — o celular vai avisar ou recusar em vez de abrir.
- O destino agora exige login. Para você continua funcionando porque seu navegador está logado.
Ele lê, mas abre a coisa errada
O código faz exatamente aquilo para que foi feito; errado é aquilo para que foi feito. Leia o endereço que o celular mostra na prévia antes de abrir — só isso já identifica a maioria desses casos.
A causa mais comum é o código errado impresso no material errado: duas campanhas, duas unidades, um arquivo trocado na gráfica. Compare a prévia com o que você pretendia codificar.
Depois disso: um cache velho mostrando uma versão antiga da página, um link que abre um aplicativo em vez do navegador porque o destino é um deep link, ou um endereço http que redireciona para um lugar inesperado no caminho até o https.
Se um código dinâmico abre o destino anterior, a troca foi salva mas o redirecionamento ainda não chegou àquele aparelho, ou o celular guardou em cache. Teste em janela anônima com dados móveis.
O diagnóstico de cinco minutos
Nesta ordem, porque cada passo elimina o maior número de causas com o menor esforço.
- Escaneie a peça impressa e leia o endereço na prévia sem abrir. Se o endereço está errado, a culpa é da arte ou do link, não do código.
- Abra esse endereço na mão, em janela anônima, com dados móveis. Se falhar ali, a culpa é do destino.
- Tente um segundo celular, de preferência mais antigo, e um terceiro se o segundo discordar do primeiro.
- Leve o impresso para uma luz clara e uniforme. Se de repente ler, a culpa é do tamanho ou do contraste, não do código.
- Meça o código e o espaço livre em volta e compare com a distância de leitura.
- Escaneie o arquivo digital original na tela. Se o arquivo lê e o impresso não, o defeito nasceu na produção.
- Só então gere o código de novo — e se ele for estático, lembre que gerar de novo produz outro padrão, então o que já foi impresso continua igual.
FAQ
Perguntas frequentes
Por que meu QR code funciona num celular e no outro não?
Quase sempre porque o código está no limite do que uma câmera consegue resolver e o segundo celular tem uma lente um pouco mais antiga ou mais suja. A solução é imprimir maior em vez de culpar o aparelho: um código com folga funciona nos dois.
Um QR code danificado ainda pode funcionar?
Sim, até certo ponto. A correção de erros reconstrói módulos que faltam e, dependendo do nível, o código sobrevive à perda de uma parte considerável da área — é isso que torna possível um logotipo no centro. Danificar um marcador de canto é outra coisa: é por eles que o leitor acha o código.
Por que meu código lê na tela e não no impresso?
Porque algo aconteceu entre o arquivo e o papel: foi ampliado de um raster pequeno, impresso com pouco contraste, perdeu a zona de silêncio no layout, ou caiu num material que espalha as bordas. Escaneie o arquivo digital para confirmar que ele está bom e então olhe a etapa de produção.
Preciso gerar o código de novo para resolver?
Normalmente não. Se o problema é o destino e o código é dinâmico, reaponte e todas as cópias impressas acompanham. Gerar de novo só ajuda quando o culpado é o próprio padrão — e produz um padrão novo, então o material já impresso fica com o antigo.
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